Solicite contato

Solicite um contato

    Edit Template

    O carinho materno na infância incentiva a compaixão e a empatia na adolescência

    O toque materno refere-se ao contato físico iniciado pela mãe em relação ao filho, como segurar no colo, abraçar, contato pele a pele ou carícias suaves, especialmente durante o desenvolvimento inicial. Embora por muito tempo tenha sido subvalorizado nas pesquisas em desenvolvimento humano, estudos recentes mostram que o toque materno desempenha um papel crucial não apenas no crescimento físico dos bebês, mas também no desenvolvimento cognitivo, emocional e social.

    A frequência do toque materno tem sido associada a melhor desenvolvimento psicomotor, redução das respostas ao estresse, melhora da regulação emocional e fortalecimento do vínculo mãe–filho. Organizações de saúde hoje reconhecem formalmente sua importância, o que se reflete em recomendações de contato pele a pele imediato após o nascimento, especialmente para bebês prematuros ou com baixo peso ao nascer.

    Acredita-se que o toque materno favoreça a formação precoce do apego ao proporcionar conforto, segurança e uma experiência relacional recompensadora. O apego seguro, por sua vez, está associado a maior empatia, estabilidade emocional e comportamentos pró-sociais mais tarde na vida.

    Modelos teóricos sugerem que experiências táteis precoces podem servir de base para o desenvolvimento da pró-socialidade humana, moldando a forma como as crianças se relacionam com os outros. O toque materno também estimula processos hormonais e neurais que sustentam o cuidado, a amamentação e a conexão emocional.

    Os autores do estudo, Kuo Zhang e Jinlong Su, buscaram explorar as ligações entre experiências de toque materno e comportamento pró-social. Eles também quiseram verificar se o padrão de apego de uma pessoa está associado a essa relação. No estudo, os autores decidiram focar em adolescentes, pois a pró-socialidade tende a se tornar relativamente estável nessa fase da vida. A pró-socialidade é definida como a tendência a exibir comportamentos voluntários destinados a beneficiar outras pessoas, como ajudar, compartilhar, cooperar e demonstrar empatia.

    Os participantes do estudo foram 572 estudantes de uma escola pública de ensino fundamental II no oeste da China. Eles tinham entre 12 e 16 anos, com média de idade de 13,56 anos. Aproximadamente 50% eram meninos e 61% dos estudantes participantes eram provenientes de áreas rurais.

    Os estudantes responderam a uma avaliação de experiências de toque materno elaborada pelos próprios autores do estudo, com base em instrumentos já existentes. Essa avaliação consistia em três itens: “minha mãe costumava me segurar nos braços quando eu era pequeno(a)”, “minha mãe costumava segurar minha mão quando eu era pequeno(a)” e “minha mãe costumava me fazer carinho quando eu adormecia quando eu era pequeno(a)”.

    Eles também preencheram instrumentos que avaliavam comportamento pró-social (Prosocial Tendencies Measure), preocupação empática (que os autores chamam de “simpatia”, medida pelo Interpersonal Reactivity Index) e apego afetivo mãe–filho (Experiences in Close Relationships – Relationship Structures Questionnaire).

    Os resultados mostraram que os participantes que relataram mais toque materno na infância tendiam a obter escores mais altos na avaliação de comportamento pró-social, especialmente no que se refere ao comportamento pró-social complacente. O apego à mãe tendia a ser mais seguro e esses participantes também relataram maior preocupação empática. A preocupação empática é a tendência a experimentar sentimentos de compaixão, calor humano e cuidado em relação a outras pessoas que estão em sofrimento ou necessidade.

    Os autores testaram um modelo estatístico que propunha que o toque materno leva a um apego afetivo mais seguro (ou seja, menor ansiedade e evitação no apego) e que esse tipo de apego, por sua vez, conduz a mais comportamentos pró-sociais complacentes e maior preocupação empática. Os resultados mostraram que o apego mediou completamente essas relações.

    “Nossos achados forneceram um suporte empírico inicial para o modelo de pró-socialidade sustentada pelo toque e sugerem a importância das interações táteis entre mães e filhos nas práticas cotidianas de cuidado parental”, concluíram os autores.

    O estudo contribui para a compreensão científica da importância do toque materno na primeira infância para o desenvolvimento psicossocial das crianças. No entanto, é importante observar que as informações sobre o toque materno na infância foram obtidas por meio de autorrelatos baseados em recordações na adolescência. Isso significa que vieses de memória e de relato podem ter influenciado os resultados. Além disso, o desenho do estudo não permite estabelecer inferências causais a partir dos achados.

    Deixe um comentário

    Your email address will not be published. Required fields are marked *

    MaxStats

    A MaxStats nasceu da convicção de que cada pessoa carrega um potencial único, pronto para ser descoberto e ampliado.

    Nosso propósito é claro: maximizar o bem-estar e as capacidades de cada indivíduo, ajudando-o a superar desafios e viver de forma plena e equilibrada.

    Entre em contato com a Max

    Últimas postagens

    • All Post
    • Abuso Infantil
    • Adolescência
    • Alimentação
    • Ansiedade
    • Anticoncepcionais
    • Autismo
    • Bipolaridade
    • Cognição
    • Compras Impulsivas
    • Depressão
    • Desenvolvimento Infantil
    • Dieta
    • Educação
    • Exercício Físico
    • Insônia
    • Inteligência Artificial
    • Jogos de Azar
    • Jogos Online
    • Memória
    • Narcisismo
    • Neurodegenerativo
    • Normas Sociais
    • Qualidade de Vida
    • Redes Sociais
    • Relacionamentos
    • Religião
    • Saúde Mental
    • Saúde Mental Feminina
    • Saúde Mental Masculina
    • Sem categoria
    • Sonhos
    • Substâncias
    • TDAH
    • Velhice
      •   Back
      • Menopausa
      •   Back
      • Sexualidade
      •   Back
      • Trauma

    Categorias

    Compartilhe essa ideia:

    Redes sociais

    © 2024 | MaxStats Psicologia