Uma pesquisa com indivíduos entre 30 e 98 anos em Sengkang, Singapura, constatou que praticar jardinagem diariamente esteve associado a melhor saúde, definida como baixos níveis de ansiedade e ausência de limitações de saúde. “Felicidade ou satisfação” foi o principal motivo relatado para praticar jardinagem, enquanto “falta de tempo” foi o motivo mais frequentemente citado para não se envolver nessa atividade. O artigo foi publicado na revista Scientific Reports.
A jardinagem é a prática de cultivar plantas como flores, vegetais, frutas ou ervas para alimentação, apreciação estética ou recreação. Ela envolve atividades físicas como cavar, plantar, regar e podar, que efetivamente constituem uma forma regular de exercício de intensidade moderada. Estudos mostram que a jardinagem melhora a saúde física ao favorecer a aptidão cardiovascular, a força muscular e a flexibilidade. A exposição ao sol durante a jardinagem ajuda a regular os ritmos circadianos e contribui para a produção de vitamina D.
Do ponto de vista psicológico, a jardinagem está associada à redução do estresse, da ansiedade e de sintomas depressivos. Ela pode promover relaxamento ao oferecer uma atividade tranquila, focada na natureza, que desvia a atenção das preocupações cotidianas. A jardinagem também melhora o humor e o bem-estar emocional por meio do senso de realização e do cuidado com seres vivos. Para muitas pessoas, favorece a atenção plena e a concentração sustentada, apoiando a restauração cognitiva. Atividades de jardinagem social, como hortas comunitárias, podem fortalecer vínculos sociais e reduzir sentimentos de solidão.
O autor do estudo, Amir Chwa, e seus colegas quiseram explorar a associação entre jardinagem diária e saúde em Singapura, especialmente entre adultos mais velhos que vivem na comunidade. Eles decidiram considerar dois aspectos da saúde: a saúde física, representada pela presença de limitações de saúde, e a saúde mental, representada pelo nível de ansiedade dos participantes.
Os participantes elegíveis eram indivíduos entre 30 e 98 anos que viviam em Sengkang, uma cidade na região nordeste de Singapura, por mais de seis meses no ano anterior. Nessa área geográfica, havia 4.023 domicílios elegíveis. Os autores enviaram cartas-convite duas semanas antes da pesquisa. No momento da coleta de dados, bateram à porta de 2.576 residências. Em 410 delas, a porta foi aberta, e 386 participantes completaram o questionário.
A pesquisa perguntou aos participantes se praticavam jardinagem e o motivo dessa escolha. Aqueles que afirmaram praticar jardinagem responderam também sobre o tipo de atividades realizadas e o número de dias por semana dedicados à jardinagem.
Com base nessas informações, os participantes foram classificados em dois grupos para análise: jardineiros diários e não jardineiros diários (grupo que incluiu tanto não jardineiros quanto jardineiros ocasionais). As limitações de saúde foram avaliadas com a pergunta: “O quanto sua saúde limita você ao caminhar vários quarteirões ou carregar compras?”. A ansiedade foi avaliada por meio da escala Generalized Anxiety Disorder de 7 itens (GAD-7).
Os resultados mostraram que indivíduos que relataram praticar jardinagem diariamente apresentaram 43% menos chances de desenvolver saúde precária (definida como presença de ansiedade, limitações de saúde ou ambas) em comparação ao grupo de não jardineiros diários, mesmo após controlar doenças crônicas, tabagismo, consumo de álcool, renda, escolaridade, idade, gênero e diversas outras características.
Os motivos mais frequentemente citados para praticar jardinagem foram “felicidade e satisfação” e “relaxamento”. Já os motivos mais comuns para não praticar jardinagem foram “falta de tempo” e “falta de interesse pela jardinagem”.
“No geral, este estudo mostra que a jardinagem diária esteve associada a melhores desfechos de saúde, reduzindo a ansiedade e as limitações de saúde. Isso apoia a promoção da jardinagem como uma atividade para o envelhecimento saudável”, concluem os autores.
O estudo contribui para a compreensão científica dos correlatos de saúde associados às atividades de jardinagem. No entanto, é importante observar que o desenho do estudo não permite inferir relações de causalidade. Embora seja possível que a jardinagem contribua para a saúde, engajar-se nessa atividade exige um certo nível de aptidão física e mental, o que provavelmente também influenciou as associações observadas. Além disso, todos os dados foram autorrelatados, o que abre espaço para vieses de relato.
O artigo, intitulado “The association of daily gardening and healthy ageing in Singapore”, foi assinado por Amir Chwa, Adithi Vasudevan, Stella Kai Min Chan, Yunru Chen, Clement Wei Jian Chia, Darius Soh, Donovan Lim, Eliza Khoo, Ernest Soh, Jayden Lew, Lara Loh, Omkar Mahadevan, Sarah Goh, Jing Xuan Tan, Xinyun Wang, Ngan Phoon Fong e Cynthia Chen.



